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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Devorando alfajores

Nacionalidades diversas dividiram o manjar uruguaio na noite desta quinta-feira, quando foi a vez dos orientais botarem seus times em campo, e sairem sem vitória, assim como os brasileiros na quarta. Desde paraguaios, passando por argentinos e terminando em bolivianos, Nacional e Peñarol serviram suas iguarias, e foram limados pelos supracitados. O blog fez a cobertura do jogo de fundo, Godoy Cruz-Peñarol, válido pelo Grupo 8, jogo de fundo da quinta que terminou alguns minutos atrás. Os mendoncinos fizeram valer o mando de campo no Malvinas Argentinas, e conseguiram 3 pontos preciosíssimos na disputa deste "grupo da morte". Destaque absoluto para o meia Diego Villar, para quem clubes brasileiros poderiam olhar com certa atenção.

O Peñarol, no comando de Gregorio Pérez, como haviamos mencionado em post anterior, deixou de ser o time retranqueiro dos tempos de Diego Aguirre, e tratou de tentar fazer valer o maior peso de sua camisa, e partiu para cima dos argentinos nos primeiros momentos da partida. Apostando na grande movimentação do trio Aguiar-Estoyanoff-Maxi Pérez, os carboneros impuseram um ritmo bastante interessante, causando problemas à dupla de volantes do Godoy Cruz Lértora e Olmedo, principalmente para o primeiro. Com o passar dos minutos, o time de Nery Pumpido se assentou no gramado, e passou a também dar suas cartadas, apostando no talento de Villar, e na alta velocidade de Castillón, destaque do jogo do último domingo, contra o Vélez.

Por falar em destaque, apareceu muito na partida o árbitro boliviano Raúl Orozco, de atuação pífia. O cidadão fez de tudo nos 90', desde inverter escanteios, não marcando 1 pênalti para cada equipe, dando faltas inexistentes, e não marcando outras claras. No final das contas, acabou não sendo comprometedora para o placar, uma vez que acertou na expulsão do zagueiro Alejandro González, mas a atuação do apitador foi tecnicamente horrível. No 1º tempo, as 2 chances mais claras foram do Peñarol, em um chutaço da entrada da área de Aguiar, no pé da trave de Torrico, e em uma bola que o goleiro do Tomba largou nos pés de Zalayeta, mas o veterano centroavante não conseguiu girar e perdeu gol quase feito.

Já na 2ª etapa, o Peñarol sequer teve tempo de dar chance para o azar. Aos 6', em ótima combinação entre Tito Ramírez e Ariel Rojas, o meia-esquerda cruzou na medida para Diego Villar surgir entre os zagueiros e bater de chapa, forte, sem qualquer chance para Fabián Carini. A partir daí o jogo tornou-se, em análise às lutas, de franca trocação, com o Peñarol atacando, sob a batuta do ótimo Luís Aguiar, enquanto o Godoy Cruz seguia perigoso nos contra-ataques, sobretudo após a expulsão de González, aos 13'. Houve tempo para Estoyanoff matar um contra-contra-ataque de 2 contra 1, quando largar Zalayeta na cara do gol era a única alternativa, de Ramírez perder um gol feito, depois de driblar Carini, e assim o jogo escorreu para os minutos finais.

Depois que Zambrana entrou no lugar de Aguiar, acabou o jogo para o Peñarol, com a saída do seu jogador mais criativo. Já bagunçado, o time uruguaio sequer conseguiu criar chances para o empate, e o Godoy Cruz abraçou-se no resultado positivo até o apito final. Todos os times do Grupo 8, ao término da 1ª rodada, mostram-se capazes de incomodar, e os jogos serão um verdadeiro inferno para os visitantes, já que, com o mando a favor, Atletico Nacional e Godoy Cruz mostraram força, e Universidad de Chile e Peñarol tem tradição de jogar muito em seus domínios. E, quem se classificar, podem estar seguros, irão longe, e darão trabalho aos demais adversários na fase dos mata-matas.

Nos Acréscimos
  • Não acompanhei, mas o Nacional recebeu o Libertad, no Gran Parque Central, e saiu derrotado, de virada, por 1-2. Os paraguaios pulam para a liderança do Grupo 5, com 2 vitórias em 2 jogos, complicando, especialmente, a vida do Vasco da Gama que, para não perder terreno, precisa vencer o Alianza Lima no Peru, no dia 6 de março. Os gols da partida foram de Aguirre, para o Bolso, enquanto Samudio e Caballero viraram o jogo em 5', entre os 13' e os 18' do 2º tempo.
  • O Grêmio volta a mexer no mercado de transferências. Após confirmar o argentino Facundo Bertoglio, as especulações giram em torno do meia uruguaio Cristian Rodríguez, do Futebol Clube do Porto. "El Cebolla" já é dado como certo no Tricolor, segundo especulações da imprensa. Além do uruguaio, mais 2 zagueiros são especulados: Leandro Almeida, brasileiro do Dínamo de Kiev, e Guillermo Burdisso, do Arsenal de Sarandí. Sigo o procedimento de "só acreditar quando fardar".

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Mística e Tradição: privilégio de poucos

É sabido, não escondo de ninguém, que sou simpatizante do Nacional, do Uruguai, por motivos muito além de alianças de torcidas, como alguém pode supor, mas por questões de afinidade e pela convivência de ter um dos meus melhores amigos de infância torcedor fanático do Bolso (apesar de colorado). Por isto, também, liguei a televisão no início da noite de ontem para assistir a um confronto válido pela 1ª fase da Copa Libertadores da América, competição que meu time sequer sonhou em jogar este ano (o Grêmio, não o Nacional, que está na Copa). Até porque, além da rivalidade, há o respeito pelo[s] "co-hermano"[s] (sic) e sua[s] história[s]. História de um dos maiores campeões da América, com 5 títulos (só perde para o Independiente [7] e Boca Juniors [6]) em 10 finais (maior finalista), além dos seus 3 Mundiais.

Enfim, a camisa carbonera entrou em campo ontem à noite para receber o emergente Caracas, maior clube da terra de Hugo Chávez, em um Centenario lotado e vibrante, como de costume. Clima total de Copa, fumaceira e gritedo para cima dos venezuelanos. O time do atual vice-campeão foi desmanchado ao fim da última Libertadores, com a saída de jogadores importantíssimos, como o trio final Martinuccio, Mier e Olivera. Diego Aguirre também saiu, dando lugar a Gregorio Pérez, de bom trabalho no Libertad, do Paraguai. Pérez segue a linha mais ofensivista, da escola do "Maestro" Óscar Tabárez e de Juán Ramón Carrasco, escalando 3 atacantes. De time reativo, tornou-se um time proponente de jogo, evolução sentida na maioria das equipes uruguaias, outrora acostumadas a utilizar-se do sempre digno retrancão.

Foi um início de jogo bastante equilibrado, como Galvão Bueno dissera certa feita, em um raro momento de lucidez, "não tem mais bobo no futebol" (sic), referindo-se a algum time peruano, ou a seleção de Honduras. O Caracas já chegou a 2 fases finais de Libertadores nos anos 2000 (eliminado nas oitavas em 2007, pelo Santos, e nas quartas em 2009, pelo Grêmio), os principais jogadores tem boa rodagem, com passagens pela seleção local. Portanto, tratava-se de um confronto perigoso no pré-jogo, o que confirmou-se em campo. Os venezuelanos aproveitavam-se da ansiedade do Peñarol, que errava muitos passes no campo de ataque, e ia apenas na boa. A centralização da armação das jogadas em Aguiar não surtia muito efeito, os setores de meio-campo e ataque pareciam fora de sintonia.

Poucas chances de gol haviam sido criadas, sobretudo da parte do Peñarol, o que tornava o jogo até chato, em alguns momentos. Até que aconteceu o lance que determinou o futuro da partida, e dos clubes na Copa Libertadores. Aos 30', Ferreira obrigou Carini a fazer boa defesa, e, no rebote, o uruguaio recuperou a bola e foi derrubado por González na grande área: pênalti para o Caracas. Na cobrança, Jiménez executou mal, mandando uma bomba em cima do goleiro carbonero. Nessas horas a camisa pesa, a torcida acorda e o time começa a jogar. 10 minutos foram o suficiente para que o Peñarol encaminhasse sua classificação, antes da descida aos vestiários. Os gols de Nicolás Freitas, aos 35', e do veterano Marcelo Zalayeta, aos 38', davam uma vantagem muito confortável aos donos da casa, tanto no placar, quanto no campo.

Pois em um confronto de mata-mata copeiro é assim: saiu atrás, tem que correr para buscar o prejuízo. E assim voltou o Caracas para a 2ª etapa, disposto a buscar o marcador, entretanto, a maior qualidade, experiência e tradição do Peñarol foram determinantes. Entre os 20' e 25' do 2º tempo o Manya matou o jogo, com gols do brasileiro João Pedro (em falha impressionante do goleiro Renny Vega) e do atacante Estoyanoff. Dali em diante foi jogar para que os hinchas curtissem a classificação quase garantida, e poupar alguns jogadores, principalmente o amarelado autor do 4º gol. Ainda houve tempo para a expulsão do zagueiro paraguaio Fidel Pérez, do Caracas. Nada que modificasse um panorama já modificado em função do peso de uma camiseta multicampeã, que faz um adversário tremer em um penal a seu favor, e depois abrir o caminha para uma goleada. Impressionante!

Nos Acréscimos
  • O Peñarol, com a goleada, praticamente se garante no grupo 8, mais um "de la muerte", com os já garantidos Universidad do Chile, Atlético Nacional e Godoy Cruz. Por falar no Godoy Cruz, os mendoncinos estão sediando um dos Torneos de Verano, tradicionais na inter-temporada argentina, e, após o jogo da Libertadores, o Tomba recebeu o San Lorenzo, vencendo por 3 a 2, e garantindo o título da Copa Ciudad de Mendoza, com 2 vitórias (venceu também o San Martín, de San Juán) em 2 jogos.
  • Ontem o Gauchão não parou, com 3 partidas. No Alfredo Jaconi, o Juventude venceu com facilidade o Pelotas, pelo placar de 3 a 0 - o alviverde recebe o Grêmio, no domingo. Em Porto Alegre, o time sub-23 do Inter foi derrotado pelo Cerâmica, de Gravataí, por 2 a 1. E no principal jogo da rodada, o clássico Ave-Cruz, deu a lógica: vitória do Santa Cruz, nos Plátanos, por 2 a 0, gols de Leonardo e CREEDENCE. Em 107 clássicos, esta foi a 64ª vitória do Galo. Paternidade absoluta. Periquitos choram os 10 anos sem vitória em clássicos no Gauchão.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Nem para adubar a terra

Iniciando os trabalhos aqui no “Vida Cancheira”, destacamos a cobertura feita do jogo de volta da Copa Roca, que já não era disputada há longevas 3 décadas e meia. E o Brasil conquistou seu 9º título (ou 8º, desconsiderando o título dividido em 1971), graças à vitória tranquila por 2-0 sobre o maior rival, com gols dos meninos Lucas e Neymar.

Já nas convocações poderia ser perceber o que seria a tônica do jogo, com um Brasil muito ofensivo, até porque precisava desta vitória para levantar o moral, e uma Argentina fechada, com jogadores defensivos em sua maioria. Não houve surpresas, Mano Menezes mandou a campo um time armado no 4-3-3, apostando muito na velocidade e habilidade dos jovens pontas Neymar e Lucas, [mal] assessorados por Ronaldinho, enquanto Alejandro Sabella abusou da boa vontade de seus defensores, montando um 3-6-1 [com a maior cara de 5-4-1] com 3 volantes, formação de dar inveja a técnicos que passaram [ou estão] pela aldeia, como Celso Roth, ou Jorge Fossati.

Consegui acompanhar a partir dos 15’ da 1ª parte, mas se a televisão se mantivesse desligada todos os 45’ certamente teria perdido pouquíssimo. Foi praticamente um treino de ataque contra defesa, com grande público no Mangueirão. Contudo, não houveram maiores efeitos práticos, a muralha proposta por Sabella protegia muito bem o gol de Orión, inclusive descendo a lenha nos leves avantes brasileiros quando necessário. Jogo truncado, muitas faltas, algumas delas bastante desleais, destacando-se os zagueiros Réver e Sebá Domínguez neste critério. Chance de gol, somente uma, quando Borges cruza rasteiro, e Neymar erra em bola dentro da pequena área.

Na 2ª etapa o jogo começou bem mais agitado, os argentinos perceberam que o bicho não era tão feio quanto se pintava, e resolveu arriscar, soltando um pouco mais o meia Fernández, e os laterais Papa e Pillud. Como costuma dizer o locutor Galvão Bueno, a Argentina “começou a gostar do jogo”, e isto foi fatal. Em contra-ataque fulminante puxado nas costas de Papa, Lucas encarreirou 40 metros, e fuzilou Orión. O gol desestabilizou os argentinos, que já não vinham bem, e tinham o fardo de tentar ao menos empatar o jogo com um time deveras inferiorizado em relação ao brasileiro. As chegadas mais importantes eram em faltas laterais cobradas pelo bom volante Canteros, do Vélez Sarsfield, jogador a se observar com atenção.

Enquanto isto, Neymar e Ronaldinho faziam exibicionismo, ou “graça para o Diabo rir”, como prefiram, que levava do nada a lugar algum. Tanto é, que Orión praticamente não trabalhava, Domínguez, Ré [!] e Cellay [!!] não ficavam tão expostos aos avantes do Brasil, e o jogo se arrastava modorrentamente rumo ao seu final. Mas ninguém escala meia defesa que há 4 dias atrás levou 3 gols do Belgrano de Córdoba, e era questão de tempo para que o queijo suíço ficasse exposto às moscas. No caso, a Diego Souza e Neymar, que matou o jogo, com participação importante de Papa. Sabella sentiu a partida escorrendo pelo ralo, e apostou em Mouche, pensando que a dupla de ataque líder do Apertura com o Boca Juniors resolveria alguma coisa.

Ledo engano. Jefferson até que trabalhou um pouco, Viatri incomodou um bocado, só que com pouca ajuda dos meio-campistas – e ressalto aqui o esforço comovente de Montillo em fazer da Argentina o seu Cruzeiro, e tentar, sem sucesso, levar o time nas costas –, não havia a menor condição tirar o placar do visitante do zero. Teve até taça para comemorar o título [sic] da Copa Roca, festa nas arquibancadas, Galvão dizendo que “ganhar é muito bom, ganhar da Argentina é melhor ainda”, mas não esperei para ver a volta olímpica. Foi mais fácil conjecturar conclusões sobre este confronto, e tentar fazer com que saísse alguma coisa útil em nível de comentário.

A partida de hoje apresentou ao mundo o excelente lateral Bruno Cortês, para mim (e para o Casagrande) o melhor jogador em campo, como há 2 semanas atrás Leandro Damião havia tido seu maior destaque com a canarinho. Houve um momento em que o jogador do Botafogo fez a jogada na linha de fundo, os argentinos ensaiaram um contra-ataque rápido, e, como por tele transporte, 15 segundos depois, nem isto, Cortês estava afastando a bola no fundo do campo defensivo. Impressionante. Lucas provou que merece mais algumas chances no time titular, Neymar precisa ser um pouco mais o do Santos, e menos o da Seleção, e só, o resto pode ensacar e mandar para o Leste Europeu.

Considerei fraca a convocação de Sabella, mais fraco ainda o time mandado a campo. Os argentinos vieram decididos a levar a partida para a marca da cal, e nada mais que isto. Muita marcação, por vezes violenta, alguns lampejos técnicos de Montillo que, mesmo assim, é jogador de clube, não tendo capacidade para lustrar as chuteiras dos seus compatriotas que atuam no futebol europeu. Os demais são insuficientes até para o futebol argentino, tendo em vista que Hauche, Mouche e Papa, por exemplo, sequer são titulares absolutos em seus clubes. Entretanto, ao contrário do Brasil, os melhores jogadores argentinos atuam na Europa, e a Copa Roca foi mais um passatempo caça-níqueis para a AFA.

Foram 2 partidas de pouca valia, somente para constar no registro histórico e fazer com que os fãs de Belém [e Córdoba?] vissem seus ídolos de perto. Um torneio [?] nestes moldes serve para muitos poucos testes, mais para a Seleção Brasileira, tendo em vista as poucas alternativas disponíveis no exterior. Pelo visto, ao contrário do que o resultado sugere, Mano Menezes terá muito mais trabalho do que Alejandro Sabella...

Nos Acréscimos
  • A noite de futebol na quarta-feira não limitou-se apenas à Copa Roca. Tivemos um confronto importante entre os 2 últimos campeões da Copa Sul-Americana, LDU Quito e Independiente. Vitória tranquila de Los Albos, por 2-0, jogando no Casablanca. Gols de Paúl Ambrosi e Luis Bolaños, ex-Inter e Santos.

  • Também tivemos a festa comemorativa do Decano do futebol uruguaio, o Peñarol, que recebeu o San Lorenzo de Almagro, para um amistoso festivo [em um Centenário esvaziado]. Acompanhei alguns momentos da partida, dominada e vencida pelo Carbonero, pelo placar de 2-0. Gols de Marcelo Zalayeta e Jorge Zambrana.