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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Navegando na altitude

Ontem se finalizou a 1ª semana das semi-finais da Copa Bridgestone Sul-Americana, com a partida entre Liga Deportiva Universitaria e Vélez Sarsfield, em Quito, no Equador. A promessa de um grande jogo, assim como havia sido Vasco da Gama-Universidad de Chile, na quarta, se cumpriu. Los Albos largam em grande vantagem no confronto, com a vitória por 2-0, ambos os gols do ótimo centroavante argentino Hernán Barcos, com participações decisivas do também portenho Equi González, ex-Fluminense. Os de Liniers valorizaram muito a vitória da Liga, não apelando para o tradicional retrancão na altitude, e criando algumas chances de gol - inclusive Domínguez [da LDU] foi outro destaque da partida -; não fossem as atuações deploráveis de Canteros e Guille Franco, e os desfalques, e a sorte fortínera poderia ter sido muito melhor. Confronto bastante agradável de se assistir, clima de Libertadores dentro da (cada vez mais valorizada) Sul-Americana, como eu já tinha visto, p.ex., em Nacional-Universidad de Chile e Universitario-Vasco da Gama, nas fases anteriores, só para ficar nos jogos que acompanhei. A parada se tornou torta para os comandados de Gareca, que terão que fazer 3 gols de diferença em Buenos Aires para chegar à grande final. Acredito que, como a Liga conseguiu 2 gols no Casablanca, o Vélez também possa conseguir 2 gols no Amalfitani, levando o jogo para os pênaltis, aposta pessoal deste blogueiro [que gosta de ver o circo pegando fogo].

Update às 21h56: O que me leva a crer em uma reação do Vélez são os retornos importantíssimos de David Ramírez e Juan M. Martínez, que fizeram muita falta no Equador. Sem contar que a LDU não terá mais a seu favor o fator altitude, o que dificulta uma de suas melhores virtudes, que são os chutes de média/longa distância. Só no jogo de ontem, 3 chances claríssimas de gol foram criadas desta forma, com Hidalgo, que parou em Barovero, e Equi González e Barcos, que acertaram o poste. Ricardo Gareca precisará, também, fazer correções pontuais no posicionamento defensivo, que fez muita água na bola aérea; no 1º tempo, especialmente, cada escanteio marcado por Larrionda era o prenúncio de um filme de terror.

Contudo, aconteça o que acontecer na próxima semana, já defino que esta terá sido a melhor das 8 edições da Copa Sul-Americana até agora, vencendo até a excelente edição de 2008. Todos os semi-finalistas chegaram até aqui com credenciais para o título, mostrando ótimo futebol [especialmente Universidad de Chile e Vélez Sarsfield] e, salvo exceções, batendo seus adversários com total autoridade [e requintes de copeirismo - que o digam os torcedores do Vasco]. Na próxima terça, em Liniers, Vélez e LDU fazem a revanche; a Liga pode perder por 1 gol de diferença, e até 2, caso marque gol[s]. O Vélez, como destacado anteriormente, para passar no tempo normal, precisará de, no mínimo, 3 gols [2-0 leva aos pênaltis]. Na noite seguinte, Universidad de Chile e Vasco decidem seus futuros no Santa Laura, em Santiago; empate sem gols dá a vaga na finalíssima aos chilenos, enquanto igualdade em 2-2 ou mais classifica os brasileiros - quem vencer, passa.

Nos Acréscimos
  • Está sendo discutido na Conmebol o direito de o campeão da Copa Sul-Americana disputar a Copa Libertadores do ano seguinte. Este ano uma situação interessante está ocorrendo, pois os 4 semi-finalistas já estão na Libertadores '12, classificados cada um ao seu modo, nos torneios/ligas domésticas. Deste modo, o 5º [!] colocado na Sul-Americana '11 herdaria a vaga. Pelo critério de eliminação, seria o Libertad/PAR, que pode conquistar a vaga também pelo Clausura paraguaio. Enfim, uma salada de frutas que está longe de ser doce, ou ter vitaminas. No meu ver, Libertadores é uma coisa, Sul-Americana é outra, e ambas levam à Recopa Sul-Americana. Ponto. Até porque, no "mundo ideal", as 2 seriam disputadas em concomitante; espero que a "queda" da vaga libertadora ao campeão da 'Sula' seja o início de uma reestruturação de calendário, ainda que seja mais fácil o Cruzeiro de Porto Alegre ganhar uma Libertadores antes disto...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Entreguem a taça?

Domingo foi disputada a partida mais decisiva do corrente Apertura, entre os 2 ponteiros, Boca Juniors e Racing. Como de costume, não assisti a todo o jogo, portanto, vou com as impressões que tive em aproximadamente 60 minutos de futebol [não estive tão bem focado assim], e com alguma base dos amigos do Futebol Portenho, que, além de informarem muito bem sobre o futebol argentino, trocam muito boas ideias, com quem quer que seja. Bombonera lotada, expectativa de já ver os xeneizes garantirem, virtualmente, o título do torneio, adversário tradicional que jogava sua última cartada, 2 times invictos no campeonato... ingredientes de sobra para um excelente jogo.

Em uma análise pré-jogo, o 0-0 final seria uma tragédia para os albicelestes, que, deste modo, entregariam a taça nas mãos do Boca; entretanto, o desenrolar da partida tornou o resultado palatável a ambos os times, principalmente se considerarmos as declarações do DT Simeone, dizendo estar satisfeito com a postura do time, que conseguiu "silenciar a Bombonera". Creio que La Academia jogou fora a última chance de título que tinha, que, aliás, já estaria dificílimo com a vitória; com o empate, no meu ver, tornou-se impossível. O nome do jogo, sem dúvida alguma, foi o ex-Grêmio Sebastián Saja, pegando o que podia e o que não podia, salvando o time em muitas, mas muitas oportunidades [listá-las daria um novo texto].

O Boca Juniors pressionou na maior parte do tempo, demonstrando muito mais volume de jogo, enquanto o Racing aproveitava-se da leveza do seu time do meio para a frente, e tentava algum envolvimento somente nos contra-ataques, sempre puxados pelo colombiano Giovanni Moreno. Hauche era o avante mais ativo do time de Avellaneda, enquanto Teófilo Gutiérrez... bom, Téo é um caso à parte. Demorou para reapresentar-se no clube, fato não-inédito, mesmo assim argumentando que "não havia do quê desculpar-se", e teve participação praticamente nula no domingo; praticamente nula é um eufemismo, pois ele fez a maior bobagem da partida, tentando reinvindicar um penal [de forma ridícula, diga-se], dando um peitaço à Patrício no árbitro, sendo expulso.

E deixando o Racing com 2 a menos, visto que Pelletieri já havia sido expulso, de forma discutível. Daí em diante, Simeone pegou o "manual do catenaccio", botou embaixo do braço, e fez o possível e o impossível para segurar o 0-0, e evitar a festa xeneize. Logrou êxito, o time foi muito bem defensivamente, como em toda a competição, e quando os zagueiros [e Matías] Cahais e Martínez não davam jeito em Blandi e Mouche, Saja garantia o ponto. Na segunda, o Lanús poderia chegar na vice-liderança, e ficar, ainda que embaçado, distante, no retrovisor do Boca Juniors; não conseguiu, perdendo em casa para o Arsenal, que empatou em pontos [23] com o próprio granate, nesta disputa pelo vice-campeonato, que vai do Racing [2º, 25] até o Godoy Cruz [11º, 20].

Nos Acréscimos
  • A briga pelas vagas coperas está muito acirrada. Temos o Vélez Sarsfield garantido, como campeão do Clausura '10/11, e o Arsenal, melhor argentino na Copa Sul-Americana '11 [fora o Vélez, que já campeonou em 2011]. Boca Juniors e Lanús só perdem as vagas se houver um desastre nos próximos 4 jogos. O Godoy Cruz está bem encaminhado, 6 pontos à frente de Racing e Independiente, e 5 à frente do Tigre; contudo, como o Matador está na zona do descenso direto, não poderá ganhar a vaga. Mais 2 vagas estão reservadas para estes 3 [ou 4] times.
  • Amanhã o Vélez começa a jogar seu destino na Copa Sul-Americana. Começará jogando na [sempre perigosa] altitude de Quito, contra o [sempre perigoso] time da LDU. E bastante desfalcado, assim como na vitória por 1-3 contra o Belgrano, em Córdoba. Ricardo Gareca não poderá contar com o meia "El Mago" Ramírez, o atacante Martínez e o volante/lateral Zapata. O jogo está marcado para as 19h15, no horário local, 22h15 no horário de verão brasileiro, e o blog seguirá esta partida, que será apitada pelo uruguaio Jorge Larrionda.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Dos "reis", o mais alto e mais recente

Nesta noite degladiaram-se 2 dos "reis de Copas" que a América do Sul possui. Independiente, tradicionalíssimo, vencedor de 7 Libertadores da América, dentre outros; LDU Quito, só não ganhou mais que o Internacional na atual década, vencendo todos os campeonatos possíveis, a não ser o Mundial de Clubes. Válido pela Copa Sul-Americana, o mata-mata já havia acontecido na Libertadores '11, em sua 1ª fase. E a lógica seguiu: passou o time equatoriano, que enfrentará nas quartas-de-final o vencedor do confronto entre São Paulo e Libertad/PAR. Falo em lógica, por aqui, porque o time de Quito é o mais sólido dentre os 2, ainda que o Independiente tivesse sido o campeão anterior da Sul-Americana. Contudo, a LDU mantém uma base desde 2006, chegando longe em todas as competições sul-americanas, dando muito trabalho para muita gente grande nesse meio tempo.

Não poderia ser diferente desta vez, principalmente se considerarmos que o Independiente não vem na melhor de suas fases, com uma transição de comando, de Antonio "Turco" Mohamed para Ramón Díaz, e convivendo com uma disputa eleitoral acirradíssima. Aliás, ouvi a entrevista do presidente Julio Comparada, empresário de Avellaneda, que confia em se manter no cargo, mesmo sem o apoio majoritário dos hinchas do Rojo. O time não é dos melhores, condição consolidada ao longo desta década, além de o relacionamento de Comparada com os barra-bravas ser, digamos, estreito. Sinceramente, não sei o que poderia prender o atual presidente no cargo, mas, enfim, cada louco com sua loucura.

A torcida não compareceu em grande número no Libertadores de América, mas desde o início buscou empurrar o Rojo para alcançar a desvantagem no confronto, já que a 1ª partida, no Equador, havia terminado 2-0 para Los Albos. As ações, nos primeiros minutos, foram comandadas por Patricio Rodríguez e Matías Defederico, ex-Corinthians, que jogavam liberados as costas dos volantes Hidalgo-Calderón. Outro que se destacava era o meia-atacante Leonel Nuñez, que buscava mais o jogo, abastecido pelos outros 2 meias. O desenho tático de Ramón Díaz foi um 4-4-1-1, espelhando a intenção de Edgardo Bauza, que, por vezes, mutou o esquema para um 4-3-2-1, sempre isolando Hernán Barcos, visto que a participação de Equi González (ex-Fluminense) e Luis Bolaños (ex-Inter/Santos) era praticamente nula.

Na 3ª parte do 1º tempo, os volantes conseguiram achar os meias argentinos, e a partida mudou de figura. Os laterais, Argacha e Julián Velázquez, precisariam aparecer mais para o jogo, e foi isto que aconteceu. Ainda assim, mesmo que "El Gordo" Nuñez se movimentasse bem, aparecesse nas jogadas de ataque, o centroavante Parra, uma espécie de André Lima argentino, seguia sem ser abastecido. Bom, abastecido ou não, não creio que o #17 do Independiente fosse capaz de fazer alguma diferença. O time argentino chegava apenas em chutes de média-longa distância, sem assustar Domínguez, e os equatorianos tentavam responder às costas de Velázquez, entretanto Bolaños, principal válvula de escape dos visitantes, não fazia boa partida.

Nuñez abriu o placar no finalzinho do 1º tempo, na única maneira que o time "rojo" poderia chegar ao gol, em chutes de fora da área. "El Gordo" experimentou, a bola desviou em um defensor da LDU e matou Domínguez. O Independiente iria para o intervalo com metade do trabalho, para levar o confronto aos pênaltis, cumprida. Acalmava a torcida, e dava ânimo aos próprios jogadores, que pareciam estar extremamente ansiosos para fazer os gols, principalmente os garotos Rodríguez e Defederico, que sumiram do jogo em determinado momento. Já a LDU não reagia muito bem à pressão argentina, talvez o gol fosse fazer o time arrefecer ainda mais.

Na 2ª etapa o Independiente já foi para cima dos equatorianos, que, mais experientes, administravam bem o placar, seguindo sem correr grandes riscos. A melhor oportunidade do Rojo foi em jogada lateral, em que Domínguez espalmou nos pés de Defederico, que chutou em cima do goleiro equatoriano. Ali já se percebia que a vaga ficaria com o time de Edgardo Bauza. Os veteranos De La Cruz e Reasco lideravam o time Albo, já possibilitando a Barcos trabalhar bem as jogadas, com Bolaños menos escondido que no 1º tempo. Considero o time equatoriano muito, mas muito melhor que o argentino, com condições totais de ir longe, talvez até ganhar a Sul-Americana. Jogou como manda a cartilha.

No fim do jogo, na base do desespero, o Independiente foi para cima, forçando as jogadas com Parra, que era um muro no comando do ataque. Ferreyra ainda entrara para dinamizar a meia-cancha, sem muito sucesso. O árbitro Buitrago (melhor nome, diga-se de passagem) levou bem o jogo, as vezes deixando correr, as vezes sendo um pouco mais rígido, mas com boa atuação. Expulsou Godoy, no final da partida, nada que manchasse ou modificasse o nível do trio de arbitragem. Gostei bastante do jogador Nuñez, seria bastante útil em um esquema onde ele fosse um 2º atacante. Para o nível do Campeonato Argentino, o Independiente, seguindo assim, poderá ir longe, ou não correr riscos, no mínimo.

Já a LDU eu vejo como favorita ao título, considerando a má campanha no Campeonato Equatoriano, no qual é 4º colocado. Certamente o clube vai querer aproveitar a chance de ganhar a sua taça em 2011, e dificilmente o time de Quito costumou desperdiçá-las nos últimos tempos. Não precisou sofrer muito para tirar o Independiente, que com muita gritaria, não conseguiu criar o suficiente para levar a partida ao menos para a marca da cal. É um time muito maduro, e, mantendo o padrão, irá longe. O vencedor de São Paulo e Libertad que fique de olho: o time que joga nos calcanhares de Deus vai querer fortalecer seu status de um dos "Reis de Copas" da América do Sul, e não medirá esforços para tal.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Nem para adubar a terra

Iniciando os trabalhos aqui no “Vida Cancheira”, destacamos a cobertura feita do jogo de volta da Copa Roca, que já não era disputada há longevas 3 décadas e meia. E o Brasil conquistou seu 9º título (ou 8º, desconsiderando o título dividido em 1971), graças à vitória tranquila por 2-0 sobre o maior rival, com gols dos meninos Lucas e Neymar.

Já nas convocações poderia ser perceber o que seria a tônica do jogo, com um Brasil muito ofensivo, até porque precisava desta vitória para levantar o moral, e uma Argentina fechada, com jogadores defensivos em sua maioria. Não houve surpresas, Mano Menezes mandou a campo um time armado no 4-3-3, apostando muito na velocidade e habilidade dos jovens pontas Neymar e Lucas, [mal] assessorados por Ronaldinho, enquanto Alejandro Sabella abusou da boa vontade de seus defensores, montando um 3-6-1 [com a maior cara de 5-4-1] com 3 volantes, formação de dar inveja a técnicos que passaram [ou estão] pela aldeia, como Celso Roth, ou Jorge Fossati.

Consegui acompanhar a partir dos 15’ da 1ª parte, mas se a televisão se mantivesse desligada todos os 45’ certamente teria perdido pouquíssimo. Foi praticamente um treino de ataque contra defesa, com grande público no Mangueirão. Contudo, não houveram maiores efeitos práticos, a muralha proposta por Sabella protegia muito bem o gol de Orión, inclusive descendo a lenha nos leves avantes brasileiros quando necessário. Jogo truncado, muitas faltas, algumas delas bastante desleais, destacando-se os zagueiros Réver e Sebá Domínguez neste critério. Chance de gol, somente uma, quando Borges cruza rasteiro, e Neymar erra em bola dentro da pequena área.

Na 2ª etapa o jogo começou bem mais agitado, os argentinos perceberam que o bicho não era tão feio quanto se pintava, e resolveu arriscar, soltando um pouco mais o meia Fernández, e os laterais Papa e Pillud. Como costuma dizer o locutor Galvão Bueno, a Argentina “começou a gostar do jogo”, e isto foi fatal. Em contra-ataque fulminante puxado nas costas de Papa, Lucas encarreirou 40 metros, e fuzilou Orión. O gol desestabilizou os argentinos, que já não vinham bem, e tinham o fardo de tentar ao menos empatar o jogo com um time deveras inferiorizado em relação ao brasileiro. As chegadas mais importantes eram em faltas laterais cobradas pelo bom volante Canteros, do Vélez Sarsfield, jogador a se observar com atenção.

Enquanto isto, Neymar e Ronaldinho faziam exibicionismo, ou “graça para o Diabo rir”, como prefiram, que levava do nada a lugar algum. Tanto é, que Orión praticamente não trabalhava, Domínguez, Ré [!] e Cellay [!!] não ficavam tão expostos aos avantes do Brasil, e o jogo se arrastava modorrentamente rumo ao seu final. Mas ninguém escala meia defesa que há 4 dias atrás levou 3 gols do Belgrano de Córdoba, e era questão de tempo para que o queijo suíço ficasse exposto às moscas. No caso, a Diego Souza e Neymar, que matou o jogo, com participação importante de Papa. Sabella sentiu a partida escorrendo pelo ralo, e apostou em Mouche, pensando que a dupla de ataque líder do Apertura com o Boca Juniors resolveria alguma coisa.

Ledo engano. Jefferson até que trabalhou um pouco, Viatri incomodou um bocado, só que com pouca ajuda dos meio-campistas – e ressalto aqui o esforço comovente de Montillo em fazer da Argentina o seu Cruzeiro, e tentar, sem sucesso, levar o time nas costas –, não havia a menor condição tirar o placar do visitante do zero. Teve até taça para comemorar o título [sic] da Copa Roca, festa nas arquibancadas, Galvão dizendo que “ganhar é muito bom, ganhar da Argentina é melhor ainda”, mas não esperei para ver a volta olímpica. Foi mais fácil conjecturar conclusões sobre este confronto, e tentar fazer com que saísse alguma coisa útil em nível de comentário.

A partida de hoje apresentou ao mundo o excelente lateral Bruno Cortês, para mim (e para o Casagrande) o melhor jogador em campo, como há 2 semanas atrás Leandro Damião havia tido seu maior destaque com a canarinho. Houve um momento em que o jogador do Botafogo fez a jogada na linha de fundo, os argentinos ensaiaram um contra-ataque rápido, e, como por tele transporte, 15 segundos depois, nem isto, Cortês estava afastando a bola no fundo do campo defensivo. Impressionante. Lucas provou que merece mais algumas chances no time titular, Neymar precisa ser um pouco mais o do Santos, e menos o da Seleção, e só, o resto pode ensacar e mandar para o Leste Europeu.

Considerei fraca a convocação de Sabella, mais fraco ainda o time mandado a campo. Os argentinos vieram decididos a levar a partida para a marca da cal, e nada mais que isto. Muita marcação, por vezes violenta, alguns lampejos técnicos de Montillo que, mesmo assim, é jogador de clube, não tendo capacidade para lustrar as chuteiras dos seus compatriotas que atuam no futebol europeu. Os demais são insuficientes até para o futebol argentino, tendo em vista que Hauche, Mouche e Papa, por exemplo, sequer são titulares absolutos em seus clubes. Entretanto, ao contrário do Brasil, os melhores jogadores argentinos atuam na Europa, e a Copa Roca foi mais um passatempo caça-níqueis para a AFA.

Foram 2 partidas de pouca valia, somente para constar no registro histórico e fazer com que os fãs de Belém [e Córdoba?] vissem seus ídolos de perto. Um torneio [?] nestes moldes serve para muitos poucos testes, mais para a Seleção Brasileira, tendo em vista as poucas alternativas disponíveis no exterior. Pelo visto, ao contrário do que o resultado sugere, Mano Menezes terá muito mais trabalho do que Alejandro Sabella...

Nos Acréscimos
  • A noite de futebol na quarta-feira não limitou-se apenas à Copa Roca. Tivemos um confronto importante entre os 2 últimos campeões da Copa Sul-Americana, LDU Quito e Independiente. Vitória tranquila de Los Albos, por 2-0, jogando no Casablanca. Gols de Paúl Ambrosi e Luis Bolaños, ex-Inter e Santos.

  • Também tivemos a festa comemorativa do Decano do futebol uruguaio, o Peñarol, que recebeu o San Lorenzo de Almagro, para um amistoso festivo [em um Centenário esvaziado]. Acompanhei alguns momentos da partida, dominada e vencida pelo Carbonero, pelo placar de 2-0. Gols de Marcelo Zalayeta e Jorge Zambrana.