sexta-feira, 15 de abril de 2016

Os sábados mais importantes das nossas vidas

Vocês estão mesmo dispostos a fazer história? (Foto: Divulgação /
Esporte Clube São José)
Esta semana não está sendo fácil. Tudo começou quando o árbitro Roger Goulart decretou o final do jogo, quando já eram oito horas da noite do último sábado no Passo d’Areia. A realidade de disputar uma semifinal de Gauchão batia na porta e colocava o São José diante de um desafio dos mais encardidos. As horas que antecederão a tarde desse sábado devem ser ainda piores. Mais precisamente às 16h20 do dia 16 de abril de 2016, onze homens pisarão no gramado do Gigante da Beira-Rio com a plena consciência de que podem mudar suas histórias. De que podem mudar a história de um clube já centenário, mas pouco acostumado às glórias, sempre um pequenino Davi à sombra de dois Golias.

A responsabilidade está toda do outro lado. Nada do que aconteça amanhã, ou no dia 23, irá diminuir o gigante que veste vermelho, mas a obrigação de passar o carro e alcançar a 9ª final consecutiva no Estadual é toda deles. Somos os franco-atiradores. O que vier é lucro. Já igualamos as históricas campanhas de 1971, quando levamos a Copa Governador do Estado, resultado da fusão com o Clube de Regatas Almirante Barroso, e do inesquecível 2010, ironicamente sob o comando do rival desta ocasião, Argel Fucks. Já temos vaga garantida na Série D e a classificação para a Copa do Brasil 2017 é praticamente uma realidade. Se perdermos, confirmaremos o inédito título de Campeão do Interior.

Ou seja, a expectativa é imensa pela possibilidade de transcender um obstáculo que até bem pouco tempo atrás parecia absurdo de superar. Quem acompanha o clube de perto sabe muito bem disto. Nunca foi tão palpável a chance de disputar uma decisão de Gauchão, que, para um clube como o São José, realmente é uma Copa do Mundo. Chegar a esta final representa uma quebra de paradigma que há muito tempo não se vê no futebol do Rio Grande do Sul, quiçá do Brasil – ou ao menos em seus grandes polos. Não vou entrar nessa onda de “anti-Gre-Nal”, “contra o futebol moderno” e afins, pois isso é demagogia barata. Para crescer é necessário se adaptar ao ambiente, o que o Zequinha tem feito com muitos méritos.

Falando sobre questões objetivas e que me levam a crer que o São José pode derrubar o Internacional: pelo Campeonato Gaúcho, o Zequinha não perde para o adversário desse sábado desde 2012 – mas também não ganha, são 4 empates em 4 jogos; o espetacular 4 a 4 do ano passado, no Beira-Rio, ainda está na retina dos torcedores de ambas as equipes, e foi uma prova real de que o time da Zona Norte sabe enfrentar situações de adversidade; o time de China Balbino nunca esteve tão consistente, sempre em evolução desde o título da Copa Sul-Fronteira, conquistada justamente sobre o Colorado. Além disto, o time parece mentalmente preparado para encarar qualquer adversário, e isso é o mais importante.

O destino está nos pés do artilheiro Heliardo, do cerebral Diego Torres, do endiabrado Jô, nas mãos salvadoras de Fábio, líder da melhor defesa do Gauchão, nas estratégias do promissor China Balbino e sua comissão técnica, e no pensamento positivo de toda a comunidade que está envolvida com o São José. São dois jogos que podem provocar uma revolução, podem fazer com que o clube mude de patamar, não para competir com Inter e Grêmio, mas para ter uma autoestima que o permita sonhar com momentos de maior brilho. Uma autoestima que faça o Esporte Clube São José ser visto como mais que apenas um clube simpático da Zona Norte de Porto Alegre, e sim como um clube respeitável e campeão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário