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Até o presidente Romildo Bolzan Júnior, uma ilha de lucidez dentro do Grêmio, perdeu os rumos de suas atitudes (Foto: Rodrigo Rodrigues / Grêmio FBPA) |
Quando me proponho a parar e escrever sobre o Grêmio,
procuro ser o mais coerente possível. Pode não fazer sentido para quem lê meus
textos recheados com cornetas e críticas, até para quem me acompanha em redes
sociais, onde pego ainda mais pesado com o clube. Só que agora, depois da
derrota para o Fluminense que derrubou o Grêmio para a metade de baixo da
tabela do Brasileirão, dentro do contexto de uma vitória nos últimos 10 jogos,
comemorando 113 anos sem comando no futebol do clube, tampouco treinador, as
coisas precisam mudar.
Mais que as coisas, as atitudes precisam ser diferentes. Em
meio a uma ebulição na política, com as eleições para o Conselho Deliberativo,
e essa profunda crise técnica dentro de campo, o momento é de abraçar o clube
como um todo. Talvez eu até tenha dito o contrário nos últimos dias, em meio ao
descontentamento com as atuações insuficientes, goleadas sofridas e declínio na
classificação do Campeonato Brasileiro. Caras, hoje o Grêmio está na 2ª página
da classificação e há uns 30 dias nós sonhávamos até com o título brasileiro. A
luz que já era amarela ganhou tons alaranjados.
O velho-novo treinador é Renato Portaluppi, que é muito
menos técnico que o antecessor Roger Machado, mas que como treinador pode dar algum
resultado. A verdade é que o Grêmio está desgovernado. As atitudes não são
tomadas à luz da sobriedade, e sim passando a impressão de que todos estão sob
efeito de alguma bebida muito forte – a qual poderia amenizar o nosso
sofrimento com toda essa conjuntura. As chances de fracasso são consideráveis, quarta-feira
já teremos mais um “jogo mais importante da temporada”, quando uma vaga nas
quartas-de-final da Copa do Brasil será decidida contra o Atlético-PR, na
Arena.
Seja como for, abandonar não vai adiantar nada, nada mesmo.
Todo torcedor sabe onde aperta seu calo e sabe melhor ainda de onde tira para
seguir contribuindo com o clube. Muitas vezes tiramos de onde não temos, quando
o que temos, na verdade, são motivos para nos indignarmos com esse momento lamentável
que o Grêmio vive. Mas o time está em queda livre e precisa da nossa força para
que tudo não se torne um drama maior ainda nesse final de 2016. A distância
para a zona de rebaixamento está em míseros 9 pontos e isso é assustador, um
desastre desse tamanho seria a maior reversão de expectativas da história do
clube.
O Grêmio não vence a mais de um mês, e nesse setembro são 4
derrotas em 5 jogos, duas delas goleadas impiedosas sofridas para Coritiba e
Ponte Preta. As escolhas erradas cobraram seu preço em um momento crucial da
temporada. A insistência em algumas situações de jogo, com alguns jogadores, ou
ainda a incapacidade de mudar ou se reinventar podem ser causas, mas não me cabe
chegar aqui como profeta do acontecido. Seria de um mau-caratismo e oportunismo
sem tamanho. O fato é que a ilusão que tínhamos no começo do campeonato foi
jogada na lata do lixo, e poucas coisas entristecem mais do que isso.
Bom, desta vez estou sendo breve, porque não há muito a ser
dito. Esses dias, em uma transmissão de um jogo do Vasco, na Série B, o
comentarista dizia que “o torcedor só vai ao estádio quando o time empolga, ou
quando está precisando dele”. O Grêmio está precisando de nós. Temos que estar
juntos com nosso time, como diz aquela música, “na ruim muito mais”. Não
precisamos apoiar incondicionalmente, muito menos aplaudir derrotas. O
importante é mostrarmos que não abandonamos o clube e que podemos evitar o
pior. Afinal, mesmo melancólico, 2016 ainda não acabou.
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