![]() |
Camilo marcou um gol antológico, que abriu o caminho para a ótima vitória do Botafogo sobre o Grêmio (Foto: Vítor Silva / SSPress / Botafogo FR) |
O texto de hoje poderia muito bem ser a continuação do que
escrevi no início da semana que passou sobre o jogo do Grêmio contra o Atlético-MG.
O tão falado jogo a menos que o time de Roger Machado tinha a cumprir contra o
Botafogo foi um desastre. O placar de 2 a 1 não condiz com o que foi a partida,
foi totalmente enganoso. Afirmo isto avaliando o quão fraca e calamitosa foi a
atuação gremista na tarde deste domingo, mesmo com os desfalques de Marcelo
Grohe, Pedro Geromel e Miller Bolaños (esse nem tão desfalque assim). Foi
aquele famoso jogo onde ninguém ganha nota maior que 5 na avaliação dos jornais
na segunda-feira, todos com atuação abaixo das suas médias históricas no
campeonato.
Começamos pelo ânimo do time. Nunca saberemos o que havia no
almoço dos jogadores em algum dos luxuosos hoteis da capital carioca, se o
calor era tão forte que pudesse causar danos cerebrais aos jogadores ou se
aconteceu algo sobrenatural no trajeto pela Linha Vermelha. A verdade é que o
time entrou em campo absolutamente travado. Podem dar a desculpa do péssimo gramado,
digno dos melhores campos de várzea do Brasil, mas o terreno de jogo é o mesmo
para os dois times; se o Botafogo consegue trocar passes no gramado do
Luso-Brasileiro, e o Grêmio não, eis um grande problema. E quando Luan é o
jogador mais aceso do time em um jogo – não que isto deponha contra ele –, aí é
o momento de chacoalhar de vez o elenco.
A vontade que tenho, hoje, é buscar fragmentos de textos
sobre outros jogos e registros de redes sociais para não passar por
oportunista. Mas como não tenho a cara de pau suficiente para fazer isso, vamos
às minhas impressões... O atual técnico gremista não tem o perfil para a
chacoalhada supracitada, muito menos há dirigentes no clube com este culhão,
já me desculpando pelo termo. Dentro do elenco aparentemente não existe uma liderança
obstinada, com moral e capacidade para elevar o time durante os jogos, quando a
coisa aperta. O fato de os capitães, pelo menos hoje, serem Maicon e Marcelo
Oliveira explica muita coisa. O time é bem montado, mas em alguns jogos se
mostra acéfalo, dentro e fora de campo.
Hoje sequer bem montada a equipe foi. O pouco argumento que
eu tinha para elogiar o trabalho de Roger Machado se esvaiu como a areia das
subestimadas praias da Ilha do Governador. O tal 4-2-3-1, cantado e decantado
como a grande virtude gremista, sendo um sistema tático bem estruturado e
azeitado, caiu no esquecimento, dando lugar a um Frankenstein com 3 volantes
que envergonharia até os maiores entusiastas do catenaccio. Aquele arroz com feijão cumpridor que dava resultados
deu lugar a um miojo morno e aguado, que não mata a fome – ou melhor, aumenta o
buraco no estômago. Tudo bem que existam desfalques, um gramado horroroso ou o
maldito respeito ao adversário, mas não se pode enfrentar um time da linha de
baixo da tabela com essa cautela toda, é inadmissível.
O pior não é a escolha pelo número excessivo de “apoiadores”
(termo gourmetizado para denominar os volantes), o maior erro foi a disposição
deles dentro de campo. Em hipótese alguma pode se tirar Walace da frente da
zaga, posição onde ele vinha se destacando no Grêmio e foi muito bem nas
Olimpíadas. Deixar ele em uma posição mais à frente, jogando mais aberto que
centralizado, é tolher as maiores virtudes dele. A dupla Maicon e Jaílson
foi inútil, nem tanto no aspecto técnico, mas no aspecto tático, pois o time
ficou totalmente centralizado, pelas características destes jogadores –
tecnicamente o campeão olímpico ainda foi pior que os colegas de função. Quanto às substituições feitas no setor, sequer vou me dar ao trabalho de comentar.
Do meio para a frente o time sucumbiu. Sem o “apoio dos
apoiadores” e com o perdão do trocadilho, utilizando a referência alimentar
feita mais cedo, o ataque morreu de fome. O melhor, como citado anteriormente,
foi Luan, que ao menos buscou jogo, se movimentando totalmente fora da sua
melhor posição, que é como o chamado “falso-9”. A referência ficou a cargo de
Henrique Almeida, um 9 que deveria ser verdadeiro, mas é pior que os falsos. Ele
mal tocou na bola, e ainda viu o garoto Matheus Batista, que entrou em sua vaga e numa
fogueira altíssima, mostrar seu valor e marcar seu golzinho. Faltou falar de
Douglas, mas ele aparentemente faltou ao jogo. Talvez ele nem tenha ido tão
mal, até pode ter sido muito bem marcado, mas a postura deste pretenso atleta é
uma das coisas mais irritantes que existem.
Dito isto, é necessário ressaltar a grande atuação de um
Botafogo que deitou nas fragilidades gremistas, criando chances e dominando as
ações até suas pernas acabarem, resultado de uma maratona de 3 jogos em 6 dias.
O golaço de Camilo, em uma linda meia-bicicleta, entra para os anais dos
maiores gols da história do Brasileirão em todos os tempos. O armador botafoguense
também teve atuação importante na criação das jogadas e no abastecimento a
Sassá, que marcou o 2º gol e deu permanente dor de cabeça a Kannemann e Wallace
Reis. Luís Ricardo foi muito bem na lateral-direita, enquanto Aírton e o
argentino Carli foram gigantes no sistema defensivo. O Botafogo, em que pese
ter sido goleado pelo Cruzeiro no meio da semana, vem em uma boa crescente, com
um time organizado, veloz e perigoso, sobretudo nos contra-ataques. Não deverá
correr maiores riscos de rebaixamento.
O Grêmio, por sua vez, segue oscilando, alternando atuações
bestiais com atuações de besta, ou atuações de gala com atuações de galinha, sendo
um leão (quase) indomável dentro da Arena e um gatinho medroso longe dela. Essa
irregularidade se percebe também na relação entre os adversários, pois
invariavelmente o Tricolor se complica contra rivais mais fracos. Dos últimos
18 pontos, o Grêmio conquistou apenas 6, e nada melhor que os números para escancarar
uma mediocridade que incomoda e muito. Nessa altura do campeonato pensar em
título é utopia, e o mais racional é aceitar que teremos que nos contentar
novamente com aquela vaga que, vocês sabem...
Nenhum comentário:
Postar um comentário