A primeira semana de outubro, quando formos fazer uma retrospectiva da dupla Gre-Nal em 2016, ficará marcada com a semana da retomada da esperança dos torcedores. Quando as expectativas já eram as piores possíveis, dentro e fora de campo armaram-se reviravoltas que permitiram uma revisão de objetivos. Tudo bem que são prêmios de consolação, longe, muito longe da grandeza de Grêmio e Internacional, mas indicam o começo da salvação de uma temporada que tinha tudo para terminar de forma trágica. Na verdade o risco ainda existe, mas só quem pode respirar aliviado na hora de dormir sabe o valor que isso tem.
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Jaílson foi o autor do gol que manteve o Grêmio na briga por uma vaga na próxima Libertadores da América (Foto: Tiago Caldas / Lancepress) |
A estreia de Renato foi pela Copa do Brasil, na desnecessariamente
dramática classificação gremista sobre o Atlético-PR, quando o time foi
derrotado no tempo normal e venceu apenas nos pênaltis. Naquela noite já se
notava um Grêmio nem melhor, nem pior, apenas diferente. Na sequência, vitória
sobre a Chapecoense, em atuação pobre e eficiente, um pouco mais seguro na
defesa, menos dinâmico e mais letal. Ao menos o time voltava a vencer no
Brasileirão, deixando para trás uma sequência de 7 jogos sem sentir o gostinho
dos 3 pontos. Apresentando visível evolução, o Grêmio superou o Palmeiras no jogo
de ida das quartas de final da Copa do Brasil, fechando setembro com mais uma
vitória.
Outubro começou com uma novidade vinda do Paraguai. A
Conmebol anunciou que a Libertadores da América passará a ser disputada durante
a maior parte do ano, já em 2017, aumentando o número de clubes e de vagas para
os brasileiros. Ou seja, da noite para o dia as 4 vagas via Brasileirão se
transformavam em 6, e alguns times, que pareciam à passeio no campeonato,
voltavam a ter ao menos alguma motivação para terminar o ano de forma mais
digna. Entre eles o Grêmio, que se arrastava em uma melancólica espera pelo
final do ano, enquanto tentava a sorte na Copa do Brasil, derradeira chance de
título ainda nesta temporada.
O começo dessa nova luta foi inglório, em jogo onde o time tinha
que jogar pela dignidade, além de jogar pelo resultado, envolto na desconfiança
de que entregaria para o Cruzeiro visando a prejudicar o Internacional. A
postura foi boa, a atuação foi ruim, e o Grêmio perdeu pelo placar mínimo no
Mineirão – onde não vence a Raposa desde 1998. Nesta quarta-feira, mais uma
situação do mesmo tipo, desta vez para enfrentar o Vitória, em Salvador.
Novamente o time se comportou bem e, apesar de perder um caminhão de gols, saiu
vitorioso, se colocando na porta do recém-inaugurado G-6.
Matematicamente falando, hoje são necessários 59 pontos para
garantir uma vaga na próxima Libertadores. Está muito longe do que time e
torcida ambicionaram em boa parte do campeonato, mas, como costumo dizer, é
muito melhor estar na “competição mais charmosa das Américas” do que não estar.
O próximo jogo é um confronto direto, contra o Atlético-PR, na Arena, onde
vencer é mais que importante, é vital para a manutenção deste objetivo. Volto a
dizer, a vaga na Libertadores não era exatamente o que queríamos, mas se é o
que podemos, vamos atrás dela.
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Danilo Fernandes pega o pênalti de Juan, em momento que poderá se tornar emblemático na história do Internacional (Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional) |
Cerca de 70 mil pessoas estiveram no Beira-Rio entre o
último sábado e esta quinta-feira. O apoio do povo que veste vermelho era
fundamental para que os aparelhos do Internacional seguissem funcionando bem,
para deixá-lo respirando no Brasileirão. Todos dentro do clube encararam os
jogos contra Figueirense e Coritiba como finais de Copa do Mundo, a torcida fez
sua parte e o time voltou a vencer duas partidas seguidas, o que não acontecia
a quase 4 meses, quando o Inter recebeu e bateu América e Atlético numa
dobradinha de confrontos contra mineiros.
O risco de rebaixamento ainda é eminente, a pontuação
colorada é a mesma do Cruzeiro (33 pontos), primeiro clube dentro do Z-4 e
que tem um jogo a menos. Falta muito para o torcedor poder comemorar a
permanência na Série A, mas a possibilidade disto acontecer passava diretamente
por esses últimos 5 dias. Alguns resultados paralelos teimavam em não ajudar,
mas finalmente o Inter se ajudou. Podem não ter sido as atuações dos sonhos,
mas vencer já faria o sono dos colorados ficar mais tranquilo. Até o próximo
sábado, a zona de rebaixamento faz parte do passado.
Dizia após a vitória do Inter sobre o Figueirense que a
tônica dos jogos entre clubes ameaçados era a baixa qualidade técnica. Pudera,
no nível de tensão em que os clubes na linha entre a 12ª e a 18ª posição estão, qualquer encontro entre eles tende a pegar fogo. O jogo contra o
Coritiba não poderia ser diferente. Com mais cara de time do que vinha tendo, a
equipe treinada por Celso Roth seguiu esbarrando forte em suas limitações e
fazendo muita força para jogar. Os paranaenses, depois de se defenderem o
primeiro tempo inteiro, se soltaram na etapa complementar, inclusive ameaçando o
gol de Danilo Fernandes.
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