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A paciência da torcida do Inter acabou de vez. Demonstrar isso é uma das principais atitudes para mudar o atual cenário do clube (Foto: Rafael Divério / Agência RBS) |
A história está aí para que aprendamos com ela. Olhar para o
lado muitas vezes é uma necessidade, mas olhar para trás é ainda mais
importante. Os erros dos outros no passado podem nos mostrar muitas coisas para
que mudemos nossa realidade no presente. E o Internacional parece ignorar estes
detalhes, se afundando cada vez mais no Brasileirão. O Colorado alcançou a
assustadora marca de 11 jogos sem vencer, sem grandes indícios de que a
situação vá melhorar tão cedo. O empate deste domingo contra o Fluminense foi a
quinta partida consecutiva sem vitória no Beira-Rio. Ao menos a sequência
histórica de quatro derrotas seguidas – a maior da história do clube como
mandante – foi quebrada.
O time que começou muito bem o campeonato, chegando a
liderar nas primeiras rodadas, teve uma queda vertiginosa de rendimento. A
última vitória, contra o Atlético-MG, colocou o time colorado como líder na
rodada 8. A atuação contra o Galo foi exemplar, de certa forma enchendo os
olhos dos torcedores, que acreditavam em uma grande campanha. A equipe tinha uma
certa consistência defensiva, utilizando a velocidade dos seus homens de frente
para garantir os resultados. Vinha dando certo, enquanto os adversários não
eram os melhores, ou não estavam em seus melhores momentos, e a parte ofensiva
vinha em boa fase. As vitórias fora de casa contra São Paulo e Santos foram exemplos
claros disto.
O turning point negativo do Inter, sem sombra de dúvida, foi
a bizarra derrota para o Botafogo, dentro do Beira-Rio. As atuações contra
Figueirense e Coritiba já haviam sido abaixo da média, mas não preocupavam.
Mas, perder para o Botafogo, da forma como o jogo se desenhou, foi acintoso, ofensivo
ao torcedor que estava nas arquibancadas. Dali em diante parece que o grupo perdeu
totalmente a confiança, tanto no trabalho do até então técnico Argel Fucks,
quanto em si mesmo, pois nada mais deu certo para o Colorado a partir desse
ponto. Argel duraria mais três jogos, as derrotas por 1 a 0 para Flamengo, Grêmio
e Santa Cruz, na sequência, até ser demitido.
A resposta da direção colorada foi tentar blindar o elenco
colocando um ídolo no comando, com o retorno de Paulo Roberto Falcão, após 5
anos longe da direção técnica do time. Muitos louvaram, mas qualquer um que
entenda um pouco de futebol sabe que a qualidade de Falcão como treinador é
inversamente proporcional às suas capacidades como comentarista. Uma coisa é tu
analisares uma partida de futebol com todos os recursos que uma transmissão “padrão
Globo” te proporciona. Outra, totalmente diferente, é estar à beira do gramado,
precisando muitas vezes mudar a história de um jogo, sem contar as questões de
gestão do elenco, o que é ainda mais difícil que preparar um planejamento
tático e técnico.
Outro ponto importante, este que destaca ainda mais a
falência de ideias do comando do futebol do clube, foram as contratações
visando o segundo semestre. Tudo bem que o meia Seijas é um jogador de seleção,
ainda que da Venezuela, e vinha mostrando muitos bons serviços no Santa Fe, mas
em hipótese alguma poderia chegar como salvação da pátria. Assim como Nico
López, de boa Libertadores pelo Nacional uruguaio, mas que nunca se firmou em
lugar nenhum, além de ter flopado na Itália e na Espanha. Até aí tudo bem,
muito dessa empolgação vinha da torcida, e é justificável, visto o número de
estrangeiros que deram certo no Inter nos últimos anos. Mas, como explicar a
contratação de Ariel Nahuelpán?
O Inter termina o primeiro turno com pontuação de time
rebaixável, e isso é assustador para a torcida. É impossível não comparar a
situação colorada com o Grêmio, no famigerado ano de 2004. O Tricolor ficou 10
partidas sem vencer, em sua pior série, e acabou na lanterna do Brasileirão,
com a pior campanha da história da competição até então. É necessário que o
Inter olhe para o retrospecto, não só do arquirrival, como também dos demais clubes
grandes rebaixados em anos anteriores. Desdenhar das possibilidades de queda é
uma irresponsabilidade. É necessário entender a delicadeza do momento e ter a
sensibilidade de tratá-lo com seriedade, para que o torcedor não sofra as
consequências.
O material humano disponível não é o ideal para um clube do
tamanho do Internacional, mas também é bom o suficiente para que o clube se
mantenha na elite do futebol brasileiro. Penso que Falcão não seja o treinador
mais indicado para o momento do clube. Infelizmente o Inter precisa de um “bombeiro”,
que faça o time conquistar pontos necessários para que a situação se acalme e a
confiança retorne ao grupo de jogadores. Se desfazer de atletas
descomprometidos também é importantíssimo, para fechar o elenco e alcançar os
objetivos. Já que eles não os mais gloriosos, que sejam para evitar uma mancha
irreversível na história do clube.
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