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O Cruzeiro se recuperou um pouco no Brasileirão, mas seus torcedores andaram protestando forte contra a situação delicada que o clube ainda vive (Foto: Reprodução / UOL) |
O Brasileirão sempre foi um campeonato dos mais esquisitos.
Na nova fórmula de pontos corridos, vigente desde 2003, as coisas passaram a
ter um pouco mais de lógica e foi composta uma hierarquia de clubes ainda maior
que a existente nas décadas anteriores. A pirâmide do futebol brasileiro está
bem dividida, com castas bem caracterizadas em seus respectivos escalões, mas
nada impede que tenhamos surpresas nos dois extremos das tabelas, não
importando a divisão. Este ano a Série A vem mostrando um equilíbrio que não se
via a algumas temporadas, com brigas intensas pelas primeiras colocações e na
luta contra o rebaixamento.
Na parte de cima da tabela, apenas 5 pontos separam o líder
Palmeiras do 6º colocado Grêmio, que ainda tem um jogo a menos em relação aos
adversários. Existe um pelotão à espreita, que fecha a primeira parte da
tabela, e está a 10 pontos do ponteiro do campeonato. A briga pelas 4 vagas que
o Brasileirão oferece para a Libertadores da América do ano que vem deve ser ferrenha
até as rodadas finais, pois nenhuma equipe dispara, devido à incrível
irregularidade que é marca registrada nesta temporada do futebol brasileiro.
Quando parece que algum time pode disparar, aparece uma Ponte Preta para
visitar o primeiro colocado e segurá-lo.
O que surpreende, na verdade, é a quantidade de times que
estão credenciados a lutar por posições no final da tabela. Ou melhor, a
quantidade de times jogando um futebol de nível débil, digno de divisões
inferiores do futebol brasileiro. Aviso que assistir a jogos de times como
América-MG, Coritiba, Figueirense e Santa Cruz pode causar dependência, te
levar a drogas mais pesadas, como jogos do CRB ou do Brasil de Pelotas, e a
reabilitação é muito, mas muito difícil. Só que o mais impressionante, e de
efeitos devastadores, é ver times como Cruzeiro, Internacional e São Paulo com
espírito e futebol de times rebaixáveis. Por sinal, os clubes citados jamais
foram rebaixados, o que torna a situação ainda mais assustadora.
O América-MG tem 5 dos 6 pregos fincados em seu caixão. Com
13 pontos em 21 jogos, não tem mais volta, nem por um milagre. Ou seja, sobram
3 vagas para 9 clubes separados por 8 pontos. O que essa montoeira de números
quer dizer? Simples, que vai ter muito choro e ranger de dentes nas 17 rodadas
que teremos pela frente. Tenho para mim que até a 30ª rodada as coisas estarão
mais claras, com definições nas partes de cima e de baixo da tabela. Aqui vai
um tranquilizante aos torcedores dos clubes supracitados: nenhum deles vai
conhecer os porões da Segunda Divisão, ao menos não em 2017. Por pior que eles
possam estar agora, todos tem capacidade de recuperação, sobretudo gaúchos e
mineiros, de situação mais delicada.
No entanto, o recado está dado: é hora de acordar! Muitos clubes
grandes caíram no conto do “clube grande não cai” e “a Série B não é o nosso
lugar”, e acordaram fora da elite do futebol brasileiro. Vejo muita soberba
dentro dos clubes, de achar que as coisas se resolverão por mágica, ou pelo
peso da camisa. Internacional e Cruzeiro estão seguindo à risca a famosa “Cartilha
do Rebaixamento”, com trocas de treinadores e decisões gerenciais no mínimo
discutíveis. O São Paulo vem jogando pouco faz tempo e está em queda livre no
campeonato. Times mais fracos, como Coritiba, Figueirense, Botafogo e Vitória
prometem lutar até o fim, pois são conscientes de suas limitações e de suas
realidades.
As próximas rodadas serão de um nível emocional
elevadíssimo. Todos os times nessa faixa da tabela enfrentam suas próprias
dificuldades e é difícil fazer uma aposta. Apesar dos pesares, o Cruzeiro está
em franca ascensão e venceu um confronto direto contra o Figueirense neste
final de semana. Por outro lado, o Internacional está a inacreditáveis 13 jogos
sem vencer e vai encarar duas pedreiras na sequência – o Sport, fora de casa,
em confronto direto, e o Santos, no Beira-Rio – e precisa urgentemente voltar a
vencer. Vitória, Santa Cruz e Figueirense, hoje, parecem ser os favoritos à
queda. Mas, em duas rodadas, tudo pode mudar, sobretudo nessa loucura que é o
Brasileirão 2016.
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